24 de julho de 2015

Um Festival, Duas Broncas e Vários Pensamentos Imperfeitos

Para começar o  Cannes Lions - Festival Internacional de Criatividade, um puxão de orelhas. A confederação de ONGs indiana iCONGO enviou um vídeo provocativo aos jurados ironizando as ações “do bem”que duram somente três meses, todos os anos, coincidentemente até que se produzam cases para uma certa premiação que tem leão no nome. O filme apresenta o depoimento/testemunho de supostas pessoas em situação de risco social e termina com a sugestão de que sejam realizados quatro festivais para que assim ações do bem consigam ajudar as pessoas durante os 12 meses do ano (link do vídeo aqui).

Amir Kassaei põe a mão nas cadeiras
E para terminar, quase ali no encerramento do Festival, um sacode geral para os caçadores de prêmios na palestra de Amir Kassaei (CCO da DDB Worldwide). Em tom eloquente, Kassaei não poupou de jurados a participantes. Afirmou que a propaganda vai perder a relevância, pois produzimos coisas fora da realidade para públicos que não existem. O verdadeiro “consumidor”, segundo ele, não está nem aí para o que a gente cria e entrega, pois a gente não o conhece e nem se importa com ele (link para o vídeo da palestra aqui).

Isso tudo me fez parar pra pensar. Afinal, qual é o propósito do Cannes Lions? Os momentos que descrevi evidenciam duas faces da mesma moeda: o prêmio pelo prêmio. O prêmio como objetivo final, descolado de todo o resto. Nada mais “nada a ver” do que isso? Humm, depende. As premiações são apenas uma parte do festival. É a parte mais importante? Mais uma vez, depende. O Festival de Criatividade engloba muito mais que isso: tem palestras, workshops, debates, encontros/trocas, networking, benchmarking etc. e é fonte de aprendizado e inspiração para um sem-número de profissionais que não estão preocupados em vencer na categoria X ou Y.  Ou pelo menos não estão preocupados apenas com isso. Ou nem mesmo estão concorrendo.

Gaultier - a passarela
Cheguei à conclusão de que o Cannes Lions se parece com os desfiles da semana de moda. Já sacou que muitos estilistas apresentam as coleções com roupas, maquiagem e cabelos “impossíveis”? 
Gaultier - a loja
Só que pode ser simplista demais – ou ingênuo – concluir que tudo é incompreensível e inútil, pois “ninguém vai usar isso”. Já experimentou depois ir à loja daquela marca do desfile impossível? Talvez até encontre aquela peça da passarela, mas ela estará decorando a vitrine ou lá no fundo da loja. Ali nas prateleiras e araras, para o consumidor real, haverá várias outras peças que são desdobramentos mais  “usáveis” daquela coleção. Inclusive em termos de preço. O desfile serviu para passar um conceito. O recado foi dado no sentido de criar a identificação do consumidor com a “atitude” de uma determinada marca. Cavalli é uma vibe, Prada é outra, e por aí vai.  Com as premiações de Cannes sinto que a coisa vai um pouco por aí. A gente vê pouca coisa “usável” no dia-a-dia das agências e seus clientes e consumidores reais? Ok, mas sinceramente me parece que as agências  nem sempre têm prioritariamente a preocupação/intenção de que aquilo seja aplicável no dia-a-dia. A intenção pode ser dar um recado do que são capazes, da vibe da agência, de até onde uma ideia pode chegar.  E quem sabe daí motivar seus clientes a se permitir arriscar mais. Ou a atrair prospects. Sem contar na divulgação em mídia do seu trabalho, sua marca, seu nome. E dos seus clientes, claro!

Mas isso é bom ou é ruim? Depende. Se você, como eu, odeia fantasmas (ainda vou escrever um post só sobre isso), pode ficar desconfiado e desconfortável com muito do que se vê por lá. Se você, como eu, não está nem aí para prêmio, tem a opção de focar no que o Festival traz de bom e inspirador nas inúmeras atividades paralelas.

Enfim, eu diria que a discussão é boa, mas depende sempre do que se quer do Festival. E depende do que você quer para a sua vida ou sua carreira de profissional de propaganda.

Não acho que o propósito do Cannes Lions é “tornar o mundo melhor” (será que isso compete ao Rock in Rio? ;) ) É verdade que o Cannes Lions tem se esforçado para criar significados mais politicamente corretos, acrescentando categorias que favoreçam a o empoderamento das mulheres e premiando campanhas “do bem”. Isso pega superbem hoje em dia, E, mais que isso, utilizar a criatividade em prol de algo realmente valioso para o mundo é uma obrigação nossa. Claro que isso é um trabalho bem mais profundo, que deve começar dentro das empresas-anunciantes e dentro das agências de forma muito, muito verdadeira. O Festival de Cannes nunca deveria contribuir para o desvio de um objetivo que precisa ser verdadeiro transformando-o numa via para simplesmente se ganhar um prêmio. Claro que não dá pra forçar a barra. Na vida real, fingir que uma empresa apóia causas é inconsequente. Também não cola uma empresa que faz campanha politicamente correta e trata pessimamente seus funcionários e desperdiça recursos, numa interpretação canhestra do que significa mesmo respeitar o meio ambiente.

Mas pensando sobre o lado positivo, tudo pode valer a pena. Produzir uma peça politicamente correta para concorrer vale, no mínimo, como exercício para abrir a cabeça. Torço por isso. Quem trabalha em agência sabe o quanto se discute e se pesquisa antes de se chegar àquela “ideia simples” final. 

Leica - celebração emocionante
E falando em premiações, afinal, não vamos nos esquecer que o Brasil ganhou pela primeira vez o Grand Prix de film com o belíssimo “100”, da F/Nazca para a Leica.  Aí você pergunta: mas o que isso significa para mim, pra você, para a propaganda, para o mundo? Bom, você decide. Pense a respeito. Ou esqueça e siga a sua vida.

20 de julho de 2015

Atendimentos Falam Sobre o Festival de Criatividade de Cannes

Já faz tempo que Cannes não é só para o pessoal de criação. Muitos Atendimentos têm visitado o Festival, trazendo para cá suas experiências que muito colaboram na relação com clientes, na criação de valor para a agência e para os próprios profissionais e Atendimento. O M&M publicou uma série, chamada Diário de Cannes, em que profissionais de agência e clientes davam sua opinião sobre oque rolava no Festival. Como nosso foco é Atendimento, separei pra você os artigos desses profissionais. Boa leitura!

- Por Andre Paes de Barros, sócio e VP de Atendimento da Loducca:
Tudo de Tudo 

- Por Cris Pereira, Diretora de Atendimento da FCB Brasil:
O Contemplativo Deu Lugar ao Engajado
O Alimento Para as Marcas
Esperança de Um Novo Propósito 
Vamos Falar da Nossa Cultura?
A Múltipla Agenda do Festival 
O Resultado da Criatividade

- Por Marcelo Passos, Vice-presidente de Atendimento da DM9DDB:
O Imprescindível Papel de Cannes

17 de julho de 2015

Quem Sabe Faz a Hora, Não Espera Acontecer

Já tive a felicidade (ou sorte?) de trabalhar em agências que tomavam a iniciativa e sugeriam aos seus funcionários possibilidades de participar de cursos interessantes, investindo no treinamento de sua equipe. Mas sei que, regra geral, isso não acontece. Por muito mais vezes, percebi que a postura dos empregadores era de falta de interesse. Aquela história de que "eu treino e o cara vai pra outra agência, aplicar o que aprendeu". Infelizmente, nem todos os empresários do ramo entendem que o treinamento é um fator de estímulo para nós e que isso representa, em última análise, uma baita estratégia para retenção de talentos. Independentemente da postura da sua agência, o que a gente deve fazer é estar sempre atento aos cursos oferecidos na área (e até fora dela, sim!) e fazer todo o possível para participar deles.

Durante a minha vida profissional, por exemplo, em vez de reclamar, resolvi fazer diferente. Caso eu percebesse o desinteresse, não pedia ao meu superior que pagasse o meu curso. Eu mesma investia, mas pedia apenas que a agência me liberasse no dia e hora para que eu pudesse participar. E após a conclusão do mesmo, preparava um material e repassava os conhecimentos aos profissionais da equipe. Isso me ajudou para reverter a postura da agência em alguns casos, ganhando a confiança dos meus superiores. Enfim, é uma dica que você pode seguir.

O resumo da ópera é que é a gente mesmo que deve tomar as rédeas da nossa carreira. Por isso, foi com muita alegria que li o artigo de Marcelo Passos, vice-presidente de Atendimento da DM9DDB, publicado no M&M de 13/7/2015. Ele pontua muito apropriadamente a importância do Atendimento ir à luta para se tornar realmente relevante.

Reproduzo abaixo o artigo do Marcelo:

 Está na hora de sair da teoria e agir 

A conversa não é nova, mas os passos seguintes, sim: o profissional de atendimento precisa se reciclar. É imprescindível que ele tenha conhecimento que ultrapasse os tecnicismos e o tático da nossa operação para ir além. Muito além. Na prática, no entanto, se formos bastante sinceros, constataremos que uma parcela realmente muito pequena dos profissionais de atendimento toma as rédeas da carreira na mão e investe em seu desenvolvimento profissional.

Tomando a liberdade de ser generalista, e claro que exceções existem, a maioria dos profissionais fica presa na execução de tarefas à espera de que as agências ofereçam algum tipo de treinamento que alavanque suas carreiras. E quando isso acontece, não raro, as pessoas ainda reclamam. E, atenção: não estou defendendo que as agências e empresas não invistam em seus talentos. Temos, e falo aqui como vice-presidente de uma agência, o compromisso de oferecer treinamento, informações, cursos e toda a sorte de ferramentas que contribuam para a formação continuada de nossos talentos. Mas isto não é suficiente para quem quer crescer. O profissional precisa ser protagonista de sua própria carreira.

Uma das condições essenciais para quem quer alcançar uma posição de liderança, realizando um trabalho que faça a diferença, e chegar ao topo da nossa indústria, é desenvolver conhecimentos periféricos que complementem nossa compreensão do consumidor, das ondas do mercado, dos negócios do cliente, das novas tecnologias. Não podemos só nos contentar com a experiência que usufruímos como usuários e compradores.

Precisamos ter conhecimento em outras áreas importantes. Precisamos estudar administração, gestão de projetos e processos, consumo de mídias, análise de balanço. Claro que não é esperado uma imersão profunda em todos os assuntos, mas é imprescindível que haja um caldo cultural que faça com que nossos clientes vejam valor no profissional que somos e não só nas empresas que nós representamos. Juntos, profissionais talentosos e agências robustas, são mais fortes e sempre haverá cliente que verá valor nesta equação e estará disposto a pagar.

Possibilidades para que o profissional ande com as próprias pernas, existem. Fundação Getúlio Vargas, Insper, Fundação Dom Cabral, Faap,¬ ESPM, USP e tantas outras são instituições altamente qualificadas que oferecem cursos para diversas demandas: de MBAs até os cursos de curta duração que exercem um papel de trazer informações atuais e com alta aplicabilidade no nosso dia a dia. Outra possibilidade é a oportunidade que estamos criando via Grupo de Atendimento. Em dois anos já formamos quatro turmas em cursos diversos sobre gestão de negócios, totalizando impacto direto em 160 profissionais de atendimento. Mas não é suficiente. Só para destacar um tema atual: o mobile.

Hoje temos 276 milhões de celulares no Brasil, apesar de uma penetração de 135%, o número de celulares ainda cresce 3% ao ano por aqui. Outro dado relevante: o brasileiro passa em média 5h26 na internet por dia, das quais 3h47 são via mobile.

Recentemente tivemos um curso de digitalização para profissionais oferecidos pelo Grupo de Atendimento. Foi um sucesso, mas as oportunidades de locais de onde podemos tirar aprendizados são muitos.

Assim como o mobile, os assuntos correlacionados ao nosso dia a dia são muitos e variados. Não se prenda a cursos que estejam diretamente ligados ao que você já faz. Alie cursos específicos com outros mais generalistas. Estude as novas ondas de consumo, mas seja curioso sobre ciências como antropologia. A última explica comportamento das pessoas, a primeira nos faz entender como o consumidor está agindo. Saia da sua zona de conforto e mergulhe no que você não sabe. Não quero ditar regras, mas sim compartilhar uma visão: quem não se mexer, poderá estar determinando agora o fim de sua carreira.

14 de julho de 2015

Atendimento Como Gestor de Negócios - Curso no RJ

Vou ministrar mais uma edição do curso O Atendimento Como Gestor de Negócios na Agência de Comunicação. Dia 15 de agosto de 2015, na ESPM. O curso será num sábado, justamente para que quem trabalha durante a semana e/ou mora fora do Rio possa participar. Que tal? Vejo você lá.

Mais informações e inscrições aqui.

4 de maio de 2015

Curso de Atendimento em Londrina

De 11 a 15 de maio de 2015 a Redhook School promove o curso Atendimento, Planejamento e Gestão da Conta do Cliente, em Londrina. Associados do Sinapro têm desconto.

 O curso será ministrado por Laerte Ferraz. Para ler o programa completo e se inscrever, clique no link.

30 de abril de 2015

Curso de Atendimento em BH e no Rio

Vem aí mais duas edições do curso Atendimento Publicitário, promovido pela Plugcitarios School. O profissional ministrante é Guilherme Grigol, Gerente de Atendimento da Leo Burnett Tailor Made -São Paulo.

Conversamos com o Grigol e ele nos deu uma visão geral do que os participantes vão encontrar no evento: “o workshop tem 8 horas de duração. Falamos de dia-a-dia, sobre negociação, sobre liderança e gestão de pessoas, enfim, tudo que o Atendimento precisa para lidar com seus projetos dentro da agência. Estão previstas dinâmicas, discussões e trabalho em grupo. Apesar da carga horária de 8 horas, é um curso bem descontraído.”


Se interessou? Então, leia o programa completo e corra para se inscrever. Em BH, dia 23/5 e no RJ, dia 30/5/2015.

23 de abril de 2015

Precarização do Trabalho Via Terceirização. Já Vimos Esse Filme

A pauta agora é a precarização do trabalho. Lendo os jornais dá a impressão de que isso começará a acontecer a partir da aprovação da lei da terceirização. Na verdade, vai piorar uma coisa que já está em curso - e no mundo todo. Trabalhar, há muito, tornou-se precário. 

Terceirização da atividade-fim? Bem, nós publicitários já conhecemos isso faz tempo. Na maioria das agências, os profissionais de criação são "pejotizados". Criação é atividade-fim, não? Já entrevistei aspirantes ao cargo de Atendimento que explicitavam no currículo que eram PJ como vantagem competitiva. A negociação salarial de muitos funcionários envolve aquele "uma parte pequena na carteira" e o resto "por fora", via nota fiscal (PJ). 

Enfim, como diz o outro, nada é tão ruim que não possa piorar.